quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Seminário discute acessibilidade de deficientes visuais nas TVs

Evento faz balanço dos 45 primeiros dias de audiodescrição obrigatória nos canais abertos

da Redação
A avaliação dos primeiros 45 dias do uso da audiodescrição nas televisões brasileiras será tema de seminário na Câmara hoje, dia 18 de agosto. A audiodescrição é um recurso utilizado para facilitar o entendimento dos programas de TV pelos deficientes visuais: um dublador aproveita os intervalos dos diálogos de filmes ou novelas para descrever o que acontece nas cenas, como detalhes de expressão e da roupa dos personagens.
No evento, serão discutidos o cumprimento da Portaria 188/10, do Ministério das Comunicações, que estabelece que as emissoras são obrigadas, desde 1º de julho de 2011, a disponibilizarem pelo menos duas horas semanais de programas com o recurso da audiodescrição; a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 160/08, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e busca garantir o uso do recurso nas TVs nacionais; e as perspectivas para o profissional audiodescritor.
O debate é uma iniciativa conjunta da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular; da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência; da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara; e da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais da Pessoa com Deficiência do Senado.
A deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), presidente da frente parlamentar mista, informa que, de acordo com o IBGE, cerca de 16,5 milhões de brasileiros possuem deficiência visual total ou parcial. “Todos eles têm direito à comunicação e à informação, nos termos da Constituição e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, lembra.


Fonte: Portal da Câmara dos Deputados
Brasília - DF, 18/08/2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meu filho, meu herói: Luzes em meio à escuridão total

Florêncio Neto fala sobre as conquistas do filho Bruno, que é cego

Mauricio Xavier
“Às vezes, em casa, fecho os olhos por alguns minutos para tentar me colocar na mesma situação do Bruno, e não consigo fazer nada. Fico impressionado como ele vive dessa forma. Há uns dias, passei por uma experiência curiosa na fábrica onde eu trabalho. Faltou luz na hora do jantar e os outros funcionários ficaram nervosos porque não enxergavam. Nessas horas eu penso: ‘Esse menino é um herói mesmo’.
Só descobrimos o problema na visão quando ele tinha 1 ano de idade. Na hora, a gente não queria acreditar: ‘Ah, isso não pode ser verdade’. Foram vários exames e, até chegarmos a uma conclusão definitiva, consultamos muitos médicos. Quando veio a confirmação da cegueira total, eu fiquei desesperado, chorei bastante. Mas a verdade é que ele trouxe uma mudança total para a minha vida. Passei a ver o mundo de um modo diferente, a dar mais valor às coisas, aprendi muito.
As pessoas que enxergam agem geralmente na base da cópia, fazem algo de um jeito porque sempre viram assim. O Bruno, não. Consegue imaginar e executar à sua maneira. Acho que meu filho é capaz de tudo. A única coisa que eu digo para ele não pensar é em dirigir. Ele pede, pergunta se um dia vai pegar o carro, mas eu nem gosto de comentar isso. Não sei o que dizer.
Nós sempre jogamos futebol na garagem. Desde pequeno, ele se agachava de um lado e eu chutava ali. Há uns quatro anos, ganhamos uma bola com guizo de um colega. Brincar de futebol com o meu garoto é um sonho realizado. Somos corintianos, só que ainda não fomos juntos a um estádio. Por enquanto não acho legal por causa da violência, eu me sinto inseguro. Pretendo levá-lo um dia.
Mas meu maior medo é do futuro. A gente tenta, da melhor maneira, prepará-lo. Como não pode assistir à televisão, o Bruno gosta muito de música e diz que quer ser DJ. De vez em quando, ele me surpreende com as suas perguntas. Sempre quer saber se nós dois somos realmente parecidos. Digo que sim. Então ele passa a mão no meu rosto para conferir e concorda. ”
Florêncio Marques da Silva Neto, 39 anos, metalúrgico, pai de Bruno, 12, cego.


Fonte: Vejinha
São Paulo, 16/08/2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mogi das Cruzes (SP) não está preparada para receber pessoas com deficiência

Reportagem fez um tour pelo Centro da cidade para mostrar as dificuldades e o que poderia ser feito para melhor receber essas pessoas.

Publicada em 16 de agosto de 2011
Grande parte dos prédios públicos de Mogi das Cruzes (SP) não está adaptada para receber pessoas com mobilidade reduzida. Além de um decreto federal de 2004, o Município vem descumprindo também uma lei criada aqui, em 1990. A reportagem de O Diário fez um tour pelo Centro, começando pelo marco zero, na Praça Coronel Almeida, em companhia de um cadeirante, um deficiente visual e uma arquiteta, para mostrar as dificuldades e o que poderia ser feito para melhor receber essas pessoas.

Os problemas começam a ser apontados antes mesmo de sairmos do lugar. "No Museu Guiomar Pinheiro Franco, a gente já não pode entrar", diz Nivaldo Alves, de 45 anos, que há 12 depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Como será visto adiante, ele aponta um dos problemas que é repetido em diversos pontos da Cidade: a falta de rampas de acesso.

Parado, no centro da praça, é só virar para os lados para ver um ponto de ônibus, outro de táxi, uma banca de jornal e vários telefones públicos. O espaço aberto, porém, vira um labirinto para quem não pode perceber o mundo utilizando a visão. "Aqui, como na maioria dos locais, não há um piso podotátil para nos guiar. Quando a gente chega, acaba perdendo a referência", lamenta Ricardo de Oliveira Pedroso, que está sem enxergar desde que sofreu um acidente de carro, também há 12 anos.

A arquiteta Bianca Cristiane, de 31 anos, também aponta algumas falhas. "As rampas daqui não têm piso antiderrapante e nem corrimão. As pedrinhas portuguesas dificultam muito a passagem do cadeirante", mostra ela, indicando que um corredor plano no local seria o mais adequado e não iria descaracterizar o local. Ela ainda aponta uma das rampas que está construída bem no pé da parada de táxi. "Isso só mostra falta de capacitação. Pior do que não fazer, é fazer de qualquer jeito. Depois de pronto, é muito difícil mudar", ressalta.

É provável que, no dia a dia, você nunca tenha prestado atenção em como o orelhão pode ser um dos maiores empecilhos para o deficiente visual. A bengala, objeto que faz com que eles possam identificar e desviar dos obstáculos, passa direto pela parte de baixo da cabine e não encontra a base que a sustenta, a barra azul. O resultado é previsível: a cabeça do deficiente dá um encontrão na cabine telefônica. "Neste caso, somente o piso podotátil poderia nos orientar sobre onde estão estes objetos", conta Ricardo, que brincando diz saber a localização exata de pelo menos 90% dos telefones públicos de Mogi. Outra solução, neste caso, seria a instalação de bases que acompanhassem todo o corpo das cabines.

"Fazer uma rampa destas é como construir uma porta para sair na parede", disse Nivaldo, que ao tentar atravessar a rua dispunha de guia rebaixada apenas para descer, mas não encontrou a mesma facilidade quando tentou subir a calçada que estava do outro lado. "Por aqui, poucos locais dão condição de acessibilidade. A gente consegue andar pela praça, mas para fazer a travessia da rua já não dá", diz ele. Esta, aliás, é uma das maiores dificuldades dos cadeirantes aqui na Cidade.

Se já é difícil subir na calçada, fica pior conseguir manter-se no trajeto. Além de esburacadas, a maior parte delas é estreita. São necessárias ‘perícias’ para passar com a cadeira de rodas entre o poste e a parede. "A gente se rala mesmo", diz Ricardo, apresentando o dorso da mão repleto de cicatrizes.

Num outro ponto, foi possível flagrar dona Regina Aparecida Matos, de 50 anos, levando o amigo Francisco Alves de Souza, cadeirante de 87 anos, pela contramão, disputando caminho com os veículos na Rua José Bonifácio. "As calçadas daqui são horríveis. Não têm rampas de acesso e são todas fora de nível", disse ela, alegando não ter forças para empurrar a cadeira pela guia alta.

Na Cidade, atravessar uma avenida movimentada é um desafio tanto para o deficiente visual quanto ao cadeirante. Um deles precisa adivinhar quando os carros estão parados, já que o semáforo não é sonoro. O outro tem que se virar para descer a calçada, chegar até a faixa e atravessá-la, subindo a guia do outro lado que também não é rebaixada.

A advogada Leia Baptista Macedo, que foi vereadora na Cidade, é autora de um projeto de lei 1990 que determina que prédios públicos sejam acessíveis a pessoas com deficiência. Como ela mesma diz, seria possível fazer de Mogi das Cruzes uma cidade ideal, apenas com a fiscalização das leis vigentes que dispõem sobre o tema. Ela ainda fala do Fórum Municipal, que tem uma rampa de acesso, mas que sempre dá em uma porta fechada, dos cartórios, que não são adaptados, de prédios sindicais, consultórios e lojas. Entretanto, ela elogia a atual administração. "O prefeito já teve a iniciativa. As coisas estão sendo feitas, mas ainda falta muito para que todas as pessoas tenham acessibilidade por aqui", diz.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Unipar adquire scanner óptico para acesso do conteúdo por deficientes visuais

Equipamento realiza leitura de textos tipográficos e transforma em arquivo de áudio


da Redação
A Universidade Paranaense, recentemente, deu mais um passo rumo à acessibilidade no Campus Guaíra. Trata-se da aquisição do scanner óptico multifuncional "Plustek Book Reader V100", instalado na biblioteca da unidade.
O aparelho foi adquirido no Rio Grande do Sul, na empresa Digitech”. Trata-se de um scanner especial para converter textos impressos em áudio. A instalação é bem simples e as conexões são de fácil instalação. “O aparelho realiza leituras de textos tipográficos e os transforma em arquivos de áudio, possibilitando o acesso ao conteúdo didático aos graduandos com deficiência visual”, explica a diretora da unidade, professora Sandra Takahashi, comemorando a aquisição.
A diretora conta que teve conhecimento do lançamento do aparelho através de uma reportagem sobre a feira de deficientes e, como o Campus Guaíra recebe o estudante de Direito Guilherme Yoshiraru Watanabe, que é deficiente visual e que testou o aparelho, conseguiu autorização para a compra. “É muito difícil encontrar doutrinas e códigos em braille; além disso, temos que estar atualizados na área jurídica, daí a importância do investimento”. Para a leitura, o estudante deve colocar o livro de lado. O scanner lê uma página enquanto a outra fica para baixo. O tempo de escaneamento é rápido: o scanner leva cerca de 12 segundos para ler, interpretar e iniciar a leitura em voz eletrônica.
Dentre as opções, ainda possui a função automática de marcador de páginas, pois reconhece a sequência das páginas da obra em leitura, caso o trabalho seja salvo ao ser finalizado. Quando o aluno abre um arquivo antigo, ele começa a leitura do parágrafo onde foi interrompida anteriormente.
Além do scanner, também foram instalados em todos os computadores de uso acadêmico um software de leitura de arquivos de texto (DOS-VOX) para ampliar o acesso às informações. O DOS-VOX é um software livre que pode ser baixado no site da Rede SACI - http://saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=6897.



Fonte: Universidade Paranaense
Paraná, 15/08/2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Deficientes visuais fazem curso para serem jurados no carnaval de SP

Em novembro, começam as aulas práticas, nas quadras das escolas, onde os jurados vão ser treinados a ouvir a bateria inteira e a separar cada som

da Redação
Dos muitos mistérios que o samba guarda, um deles mora no ritmo e outro na precisão, principalmente quando é carnaval. Escola na Avenida é tamborim valendo nota. Ano que vem, a disputa promete em São Paulo. Quem vai julgar são os ouvidos que não se distraem por nada. Eles se concentram no samba, na cadência e no ritmo e percebem detalhes que antes acabavam ofuscados pela grandiosidade das fantasias e das coreografias. Esses jurados, muito especiais, já estão sendo treinados em São Paulo.
Esqueça as imagens só por um momento. Preste atenção apenas no som. De todos os nossos sentidos, a visão é a que mais ocupa o cérebro. Sem ela, as outras ficam aguçadas. Com base nesse conhecimento científico, um grupo de cegos começou se preparar para exercer uma função importante. A partir do ano que vem, eles serão jurados dos desfiles das escolas de samba de São Paulo.
Carnaval após carnaval, as baterias foram se sofisticando, com roupas mais elaboradas, coreografias. Esse espetáculo começou a influenciar quem deveria julgar só o som. No carnaval de 2011, em São Paulo, a cabine dos jurados do quesito “Bateria” foi vedada. Eles não viram a escola passar e, aí sim, conseguiram perceber quem era melhor. Daí nasceu a ideia.
O auxiliar de produtos Diego Castro ficou cego há quatro anos e percebeu que a audição mudou. “Ela passou a ser mais atenta. É notar detalhes que antigamente eram imperceptíveis. Isso, para um jurado, é muito bom”, destaca.
O curso começou com a parte teórica – o que é obrigatório? O que faz a escola perder pontos? “A gente tem que avaliar se houve erro. A característica a gente não avalia. É só se ela se apresentou de uma forma correta ou não”, ensina o professor.
As instruções foram gravadas em CD e, em novembro, começam as aulas práticas, nas quadras das escolas. É lá que eles vão ser treinados a ouvir a bateria inteira e a separar cada som. Giovanna Maira é cantora lírica, formada em música pela Universidade de São Paulo (USP), e vai cair no samba. “Para mim, vai ser mais do que uma estada na Avenida para julgar alguém. Para mim, vai ser uma diversão”, comemora.
O engenheiro de produção Airton Luiz Rio Branco vai cantar “Avenida, aqui me tens de regresso”. Sambista desde garoto, ele se afastou quando ficou cego. Agora volta como jurado. Ele mudou de lado, mas jura que foi por amor. “Não é nada pessoal, ao contrário. É uma forma de voltar a minha inserção e poder fazer algo pelo samba”, disse.
“Eu acho que vai causar impacto aí. Vão ter que tocar bastante e vão ter que tocar bem”, afirma o funcionário público Ubijara Domingues. Vai ser bom para os ritmistas e para todo mundo que gosta de samba. Esses jurados receberão uma ajuda de custo de R$ 400 por dia trabalhado no carnaval, mas nada vai pagar a emoção de julgar um dos quesitos mais importantes da escola.



Fonte: Bom Dia Brasil
São Paulo, 12/08/2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Minoria surda que estuda sai de sala especial para regular

Censo Escolar mostra que matrículas em classes comuns cresceram 30% em dois anos, mas total de deficientes na escola ainda é pequeno

Cinthia Rodrigues
Isolados, os dados do Censo Escolar 2010 sobre os estudantes surdos são animadores: três quartos dos matriculados estavam incluídos em classes regulares, um aumento de 30% em relação a 2008. Quando comparados aos dados da população brasileira com deficiência auditiva como um todo. No entanto, os mesmo números mostram que os surdos estão longe de estar incluídos no sistema escolar.
A maior parte do crescimento de matrículas em escolas comuns representa uma diminuição dos estudantes em instituições especiais. Somados os dois tipos de ensino, o total de alunos surdos cresceu apenas 6% nos últimos dois anos e chegou a 70 mil
A última contagem do IBGE conhecida sobre o assunto, do Censo 2000, mostrava que 5,7 milhões de brasileiros eram deficientes auditivos, 357 mil apenas na faixa etária de 5 a 14 anos, em que todos deveriam ser estudantes. Se o número for parecido em 2010, apenas um quinto destas crianças e adolescentes vão à escola ou são percebidos como – e recebem tratamento especial para – deficientes auditivos.
Para a professora e assessora da diretoria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), Rita Nacajima, as escolas precisam ser mais atraentes para essa população. A instituição de mais de 150 anos de história chegou a ser contrária à inclusão por achar que os deficientes auditivos não aprenderiam em classes com alunos ouvintes, mas acabou apoiando a política na esperança de expandir o total de pessoas atendidas. “A gente entende o movimento de inclusão como necessário porque o Ines e todas as outras instituições especializadas não têm como dar conta de todos os surdos. Agora, é preciso trabalhar mais a recepção deste aluno na escola”, diz.
A barreira que separa a maioria dos surdos da vida escolar é a língua. Sem ouvir, a maioria não fala e a escrita não ganha significado. Em 2002, o Brasil oficializou a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para que estas pessoas falassem com as mãos. A língua é completa e permite a quem tem interlocutor o pleno desenvolvimento de todas as demais habilidades. Faltava quem traduzisse a linguagem oral da sala de aula para a visoespaciAL.
Um decreto de 2005 estabeleceu que os "tradutores" viriam de duas formas. Pela aprovação em prova de proficiência anual em LIBRAS - aplicada a pessoas que já utilizavam a língua de sinais em outras atividades - e pela formação de educadores especializados. Segundo o Ministério da Educação, desde então já há 4.683 intérpretes de LIBRAS atuando na educação básica, que abrange o ensino fundamental e médio.
“O problema é que não basta traduzir”, diz Rita. Como a maior parte das crianças surdas tem pais ouvintes, a LIBRAS só é ensinada quando começam a frequentar escolas próprias. “Para aprender, as pessoas levam o mesmo tempo que para se comunicar em qualquer língua e, até então, não adianta traduzir de uma língua que eles não entendem para outra que ainda não sabem também”, explica.
As entidades reconhecem que houve algum avanço. Dados da Federação Nacional das Associações para Valorização de Pessoas com Deficiência (Fenavape) mostram que o número de surdos no ensino superior passou de mínimos 444 em 2007 para 1.895 em 2009. Muitos cursam carreiras de docência e devem se tornar professores tanto de surdos quanto de ouvintes. “O mesmo esforço que hoje um aluno que não houve faz para entender as estratégias dos ouvintes deverá ser necessário para os ouvintes entenderem o professor surdo”, calcula Rita, completando: “e isso será a outra metade da inclusão.”



Fonte: Último Segundo
11/08/2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Decisão do TST inclui perda parcial da audição em cotas

A deficiente ficou em quarto lugar na lista de reserva para PCD, mas havia sido reprovada pela junta médica por ter perda parcial da audição, e não completa.
Publicada em 10 de agosto de 2011
Símbolo de surdez
O Tribunal Superior do Trabalho (TST), em decisão unânime, concedeu um mandato de segurança requerido por uma profissional com deficiência auditiva para inclui-la na lista de pessoas com deficiência física e formação do cadastro de reserva no cargo de técnico judiciário do próprio TST. A deficiente ficou em quarto lugar na lista de reserva para este público, mas havia sido reprovada pela junta médica por ter perda parcial da audição, e não completa.

O relator do processo, ministro Lelio Bentes Corrêa, no entanto, entendeu que "a perda da audição, ainda que unilateral, afeta gravemente a vida cotidiana do ser humano", e o objetivo da lei é, entre outros, "assegurar o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho e superar a barreira maior que se impõe à sua total inclusão em todos os aspectos da vida social: o preconceito".

Conforme nota do TST, o nome da candidata foi excluído da lista de aprovados porque a perícia médica entendeu que apenas no ouvido direito a deficiência era superior ao previsto na lei que trata da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, que se refere a "perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibeis". O mandato de segurança, no entanto, foi emitido porque a candidata sendo "portadora de deficiência auditiva superior a 41 decibeis (dB) no ouvido direito, sua exclusão do concurso violaria direito líquido e certo".

Corrêa, em seu voto, assinalou que a lei deve assegurar o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho não apenas para reduzir as dificuldades materiais decorrentes de sua condição especial, mas para superar o preconceito. "Nisso consiste a ação afirmativa, ferramenta essencial na promoção da igualdade real entre os seres humanos - primado básico dos direitos fundamentais reconhecidos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948."

Para o relator, a decisão é justificada, já que a candidata tem deficiência que não a impede de trabalhar, mas que estabelece uma "diferença significativa" de sua condição profissional em relação aos demais candidatos.


Fonte: http://invertia.terra.com.br/terra-da-diversidade/